Brasileiro pode levar 20 anos para ter carro novo

Escrito por Radio 104FM on .

 

 

 

 

Brasileiro pode levar 20 anos para ter carro novo

Brasileiro pode levar 20 anos para ter carro novo

 

Muito se fala sobre o preço alto do carro no Brasil. Mas quanto tempo levaria um brasileiro para adquirir um modelo? Não muito tempo, se o comprador fizer uma das inúmeras linhas de financiamento automotivo disponíveis. Porém, é de conhecimento público que os juros impostos no financiamento às vezes dobra o valor pago pelo modelo. Então, só nos restaria economizar para comprar o tão sonhado carro 0 Km à vista, correto? Pois parece que o “jeito certo” é ainda mais desanimador do que imaginamos.

Se o futuro comprador receber a média salarial do Brasil, que é de R$ 2.168,80 (segundo dados do IBGE),e ele quisesse  comprar um carro popular, no caso um Fiat Palio Fire, por exemplo, cujo valor na tabela Fipe é de R$ 26.990, ele precisaria reter 14% de seus vencimentos durante 20 anos para ter o Palio Fire na garagem. Se você achou essa estimativa ruim, acredite, podemos piorá-la: caso o mesmo trabalhador receba o mínimo de R$ 788,00, ele precisará aumentar o percentual de seus ganhos para 25% no mesmo período, se quiser adquirir o modelo.

Segundo economistas e especialistas financeiros, o ideal é economizar 10% do salário para obter um automóvel, de preferência, à vista. Os mesmos especialistas ainda ressaltam que quem ganha o mínimo, dificilmente conseguirá arcar com os custos de aquisição de um carro novo, assumindo uma dívida maior do que 25% de sua renda. Então, a única saída seria adquirir um carro usado, cujo preço é menor e mais acessível.

Se realizarmos uma comparação com a Europa, essa diferença será nítida, e poderá se entender por que mesmo com um sistema de transporte coletivo eficaz, o consumo de veículos novos ainda é superior ao nosso. Vamos pegar a Alemanha como exemplo. Lá, o salário mínimo equivale a R$ 4.355, o que faria com que um trabalhador economiza-se cinco anos e quatro meses de seu salário para ter a versão de entrada do Volkswagen Golf, que é o modelo mais consumido neste país europeu, e que custa à partir de R$ 56.158. Ou seja, o trabalhador alemão leva um quarto do tempo para adquirir um veículo de qualidade 2 vezes maior do que o brasileiro.

Só a título de comparação, no Brasil, o mesmo modelo da marca alemã parte de R$ 73.800 e obrigaria um trabalhador que ganha o mínimo de R$ 788 a encarar uma mensalidade que representaria 67% de seu salário por 20 anos. Ou seja, um esforço praticamente impossível de ser realizado. Aqui, o mínimo representa 1,07% do preço do carro, enquanto na campeã da Copa de 2014, o de lá representa 7,62% do valor do automóvel.

E quem seria o culpado por tamanha desproporcionalidade e crueldade? Impostos altos e a “suposta” margem elevada de lucros das montadoras seriam os vilões dos preços no Brasil, apesar do próprio consumidor contribuir com a situação, pagando os valores propostos. Parece que já levávamos sete a um da Alemanha faz tempo, só não tínhamos consciência.

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