Mais de 60% da população da PB é contra pena de morte, diz pesquisa

Mais de 60% dos paraibanos são contra a aplicação da pena de morte. Este é um dos dados revelados por uma pesquisa realizada pela Igreja Católica em 38 cidades do estado que fazem parte da Arquidiocese da Paraíba. O objetivo foi o de avaliar como a população vê a atuação da Igreja, mas também foram abordadas questões como direitos humanos e movimentos sociais. O resultado da pesquisa foi transformado em um livro que será lançado nesta quinta-feira (21) em João Pessoa.
Apesar de ter sido realizada pela Igreja Católica, a pesquisa não ouviu apenas católicos. No total participaram 1.520 pessoas moradores dos municípios que fazem parte da Arquidiocese da Paraíba. O trabalho foi coordenado pelo padre Virgílio Almeida, que é vigário geral da diocese. O levantamento foi realizado entre os meses de setembro e outubro de 2011.
A questão do apoio ou não à aplicação da pena de morte foi inserido no ponto no qual foi avaliado o problema da violência e a atuação da Igreja no campo dos direitos humanos. Segundo os dados, 60,66% da população ouvida é contra a prática, 25, 33% disse ser a favor, 11, 32% afirmou ter dúvida, 2,24 % não respondeu.
Ainda conforme os números, o grupo mais firme contra a pena de morte é dos evangélicos. Das pessoas ouvidas que disseram ser praticantes da religião, 71,07% afirmou ser contra a prática e 17,13% a favor. Já em relação aos classificados como católicos praticantes, os dados foram de 23,95% favoráveis e 62,04% contra.
Para o padre Virgílio Almeida, os números contra a pena de morte mostram que as Igrejas estão conseguindo formar uma visão mais humanitária junto aos seus fiéis, diferente do restante da sociedade. No entanto, ele disse que a Igreja Caólica não ficou satisfeita com o dado. "É preciso que haja uma cultura mais consistente contra pena de morte. Isso tem que ser melhorado principalmente na Igreja Católica, os evangélicos são muito mais sensíveis a isso", disse o coordenador da pesquisa.
A pesquisa mostra ainda que 85,13% das 1.530 pessoas ouvidas são contra o aborto. Nesse segmento, os evangélicos também são a maioria, 88,48% disseram ser contra a prática. No caso dos católicos, o índice foi de 85,51%. Outros dados da pesquisa mostram que 49% são a favor da Igreja defender o Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e 47,5% são a favor ao trabalho de apoio aos direitos dos presos.
De acordo com o padre Virgílio, os resultados da pesquisa devem servir para repensar a forma como a igreja atua. "Ela abre novas possibilidades de compreender a realidade religiosa e também social do nosso povo", pontuou.
g1pb
